Petróleo volta a superar US$ 100 mesmo após EUA autorizarem compra de barris russos

Desde o início da guerra, o preço do petróleo já registra uma alta próxima de 40%, passando de cerca de US$ 60 no início de 2026 para níveis que não eram observados desde meados de 2022.

Os preços do petróleo continuam em trajetória de alta e voltaram a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril, impulsionados pelo aumento das tensões no Oriente Médio e pelo temor de interrupções no fornecimento global de energia.

Nesta sexta-feira (13), o barril do Brent, referência internacional, chegou a avançar 0,8%, atingindo US$ 100,30, enquanto o WTI era negociado a US$ 95,98. Mais tarde, por volta das 11h (horário de Brasília), os preços passaram a registrar leve recuo, embora ainda permanecessem próximos desse patamar. O Brent caía 0,34%, a US$ 100,12, enquanto o WTI recuava 1,30%, para US$ 94,49.

A recente escalada ocorre após uma forte valorização acumulada desde o início do conflito na região. Nesse período, o petróleo já subiu cerca de 40%, saindo de níveis próximos a US$ 60 no começo de 2026 para valores que não eram observados desde meados de 2022.

Apesar da tendência de alta, os preços registraram uma leve queda nesta sexta-feira depois que os Estados Unidos autorizaram temporariamente a compra de petróleo russo que estava retido em navios no mar. O Departamento do Tesouro concedeu uma licença válida por 30 dias, até 11 de abril, permitindo que países adquiram carregamentos de petróleo e derivados russos que já haviam sido embarcados até quinta-feira (12). A medida busca aumentar a oferta e aliviar a pressão sobre o mercado global de energia.

Mesmo com esse alívio pontual, investidores seguem atentos à evolução da guerra e ao risco de interrupções no fluxo de petróleo no Oriente Médio. O aumento das tensões na região, incluindo ameaças de fechamento do Estreito de Ormuz — uma das rotas mais importantes para o transporte de petróleo no mundo — tem ampliado a volatilidade das cotações.

“As notícias chegam ao mercado como a pressão de uma mangueira de incêndio, o que acaba impactando diretamente o preço do petróleo e, consequentemente, os mercados financeiros”, afirmou Mitch Reznick, chefe do grupo de renda fixa da Federated Hermes, em entrevista à agência Reuters.

A alta da commodity também reacendeu preocupações sobre a inflação global e levou investidores a reverem as expectativas em relação aos juros nos Estados Unidos. Atualmente, o mercado projeta cerca de 20 pontos-base de cortes nas taxas pelo Federal Reserve neste ano, abaixo dos 50 pontos-base que eram esperados no mês passado.

Para analistas, o cenário ainda é marcado por grande incerteza. “Com a possibilidade de novas altas no preço do petróleo, os investidores devem se preparar para um período de volatilidade contínua e possíveis quedas adicionais nos mercados no curto prazo”, avaliou Vasu Menon, diretor-gerente de estratégia de investimentos do OCBC, em Singapura.

🔎 A escalada do petróleo ocorre em meio ao temor de que um conflito prolongado afete o fornecimento global de energia, pressionando os preços dos combustíveis, elevando a inflação e impactando a atividade econômica em diversos países.

Impacto no Brasil

A valorização do petróleo no mercado internacional já levou o governo brasileiro a adotar medidas para conter possíveis impactos nos combustíveis. Na quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um pacote para tentar evitar uma alta expressiva no preço do diesel no país.

Entre as iniciativas está a isenção das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, além da criação de uma subvenção para produtores e importadores do combustível.

Segundo estimativas do governo, as medidas podem reduzir o preço do diesel em cerca de R$ 0,64 por litro. Para compensar a perda de arrecadação, também foi anunciado um imposto de 12% sobre a exportação de petróleo, com o objetivo de capturar parte dos ganhos extras obtidos pelos produtores diante da valorização internacional da commodity.

A preocupação do governo é evitar que o aumento do diesel pressione ainda mais a inflação, já que o combustível é essencial para o transporte de cargas e influencia diretamente os custos de alimentos e outros produtos.

Nesse contexto, a Petrobras informou na noite de quinta-feira que seu conselho de administração aprovou a adesão da companhia ao pacote anunciado pelo governo. A estatal afirmou que, por se tratar de um programa facultativo e potencialmente vantajoso, a participação é considerada compatível com os interesses da empresa.

A Petrobras destacou, no entanto, que a assinatura formal do termo de adesão ainda depende da publicação e análise das regras que serão definidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), especialmente aquelas relacionadas ao preço de referência necessário para viabilizar a subvenção.

A companhia também reiterou que mantém sua estratégia comercial baseada na participação no mercado, na otimização de seus ativos de refino e na busca por rentabilidade sustentável, evitando repassar imediatamente aos preços internos toda a volatilidade das cotações internacionais do petróleo e da taxa de câmbio.