Votação para a presidência tripartite ocorreu em meio a uma crise política que ameaça o futuro europeu do país dos Bálcãs.
A Bósnia e Herzegovina realizou uma nova eleição nacional em meio a um cenário político marcado por divisões étnicas, dificuldades econômicas e uma disputa crescente pela influência estrangeira.
O sistema político do país é incomum.
A presidência é formada por três representantes: um bósnio, um sérvio e um croata.
A estrutura foi criada depois da guerra que devastou o país nos anos 1990.
Uma eleição diferente
Os eleitores escolheram representantes de diferentes comunidades.
Entre os principais candidatos estavam Denis Bećirović, político bósnio de centro-esquerda; um candidato sérvio nacionalista favorável a relações próximas com a Rússia; e uma candidata ligada ao nacionalismo croata.
Os resultados iniciais mostraram uma disputa bastante fragmentada.
União Europeia no centro
Um dos principais temas da eleição foi o futuro europeu da Bósnia.
O país pretende avançar no processo de integração com a União Europeia.
Entretanto, as divisões internas dificultam a aprovação de reformas exigidas pelo bloco.
A população também demonstra frustração com a lentidão das negociações.
Rússia e Estados Unidos
A eleição possui ainda uma dimensão internacional.
A Rússia mantém influência entre setores sérvios da Bósnia.
Os Estados Unidos, por outro lado, continuam desempenhando papel importante na região desde o fim da guerra.
A União Europeia tenta ampliar sua influência por meio da perspectiva de integração.
Isso transforma a eleição em uma disputa que ultrapassa as fronteiras nacionais.
Um país dividido
A Bósnia continua sendo uma das sociedades politicamente mais complexas da Europa.
Três comunidades vivem dentro de uma estrutura institucional construída para evitar novos conflitos, mas que também dificulta decisões nacionais.
O novo governo terá de enfrentar crescimento econômico limitado, desemprego, emigração de jovens e o desafio de avançar nas negociações com a União Europeia.
O resultado eleitoral poderá definir qual caminho o país seguirá nos próximos anos: maior aproximação com a Europa ou manutenção de uma política marcada pelo equilíbrio entre diferentes influências externas.
