Mateus Isaac Cardoso Silva, de 22 anos, confessou ter efetuado o disparo que matou Ana Clara Soares de Oliveira; em depoimento, afirmou que apertou o gatilho “sem querer” durante um momento de emoção
O jovem Mateus Isaac Cardoso Silva, de 22 anos, foi preso na noite de terça-feira, 13 de outubro, suspeito de matar a ex-namorada, Ana Clara Soares de Oliveira, de 19 anos, com um tiro na cabeça em Taboão da Serra, na Grande São Paulo.
O caso ocorreu na madrugada de segunda-feira, dia 12, e foi registrado pela Polícia Civil como feminicídio. Segundo informações da investigação, Mateus confessou ter disparado contra Ana Clara, mas afirmou em depoimento que acionou a arma sem intenção durante um momento de forte emoção.
Suspeito foi localizado após denúncia
Depois do crime, Mateus deixou o local e ficou foragido.
A Polícia Militar conseguiu localizá-lo na noite de terça-feira na casa de um familiar, após receber uma denúncia sobre seu paradeiro.
Ele foi levado ao 1º Distrito Policial de Taboão da Serra e ficou à disposição da Justiça.
Antes da prisão, a Justiça de São Paulo já havia decretado prisão temporária por 30 dias contra o suspeito.
Crime aconteceu durante encontro entre os dois
Segundo a investigação, Ana Clara e Mateus haviam se encontrado na madrugada de segunda-feira.
Durante o encontro, ocorreu uma discussão e a jovem foi atingida por um disparo na cabeça.
Ela não resistiu ao ferimento.
Relatos reunidos pela polícia indicam que, logo depois do disparo, Mateus teria contado a um amigo o que havia acontecido e posteriormente também teria confessado o crime à própria mãe.
Ex-namorado diz que disparo ocorreu “sem querer”
Em depoimento após a prisão, Mateus admitiu ter manuseado a arma e efetuado o disparo.
Segundo reportagem publicada nesta quarta-feira, ele afirmou que teria apertado o gatilho “num momento de emoção” e alegou que o tiro ocorreu sem intenção.
Essa é, porém, a versão apresentada pelo investigado.
Cabe à Polícia Civil reunir depoimentos, perícias e outros elementos para determinar as circunstâncias exatas do crime. A eventual responsabilização criminal será definida posteriormente pela Justiça.
Família relata histórico de violência
Familiares de Ana Clara afirmam que o relacionamento dos dois era marcado por episódios anteriores de agressividade.
Segundo o padrasto da jovem, Mateus já teria feito ameaças de morte e agredido fisicamente Ana Clara durante o relacionamento.
A Folha de S.Paulo também relatou que, cerca de um mês antes da morte, teria ocorrido uma tentativa de enforcamento contra a jovem. A própria mãe do suspeito teria aconselhado Ana Clara a encerrar o relacionamento diante do comportamento do filho.
Até então, porém, não havia registro de boletim de ocorrência anterior feito pela vítima contra Mateus, segundo as informações divulgadas pela investigação.
Celular da vítima foi apreendido
A perícia esteve no local do crime e apreendeu o telefone celular de Ana Clara.
O aparelho poderá ajudar os investigadores a reconstruir os últimos contatos entre os dois, além de verificar possíveis mensagens, ameaças ou outros elementos relevantes para o inquérito.
Outras provas, como depoimentos de testemunhas e exames periciais, também deverão ser analisadas.
Caso foi registrado como feminicídio
A Polícia Civil registrou a morte de Ana Clara como feminicídio, modalidade de homicídio praticada contra mulher em razão de violência doméstica ou familiar ou por menosprezo e discriminação relacionados à condição feminina.
A classificação feita no registro policial orienta a investigação inicial, mas o enquadramento jurídico definitivo dependerá da conclusão do inquérito, da atuação do Ministério Público e das decisões judiciais posteriores.
Jovem foi sepultada na terça-feira
O velório e o sepultamento de Ana Clara ocorreram na terça-feira, no Cemitério da Saudade, em Taboão da Serra.
Familiares da jovem têm pedido Justiça e afirmam que os episódios anteriores de violência já geravam preocupação antes da morte.
Investigação continua
Com o suspeito preso, a Polícia Civil deverá aprofundar a apuração para esclarecer como a arma chegou às mãos de Mateus, o que aconteceu nos minutos anteriores ao disparo e se houve premeditação ou outra circunstância agravante.
Por enquanto, o ponto central confirmado é que Mateus admitiu ter efetuado o tiro que matou Ana Clara, embora sustente que o disparo não teria sido intencional.
A versão será confrontada com os demais elementos da investigação antes de qualquer conclusão judicial definitiva.
